O Tempo Não Tem Tempo 

A Persistência da Memória - Salvador Dalí

INTERPRETAÇÃO DA LETRA

Esta letra não terá interpretação, e sim um poema como explicação.

Tem muitos que lhes faltam tempo.

Outros, seu capital é tempo!

Tenho uma história de não aceitação de uma denominação que me foi imposta, pois sei que não possuo  a mínima capacidade de ela merecer; isso seria uma afronta aos seus verdadeiros e imortais detentores, que no meu entender, foi por causa deles que tal designação foi criada e não o contrário.

 

Referida distinção é a de "Poeta".

 

Há algum tempo, pouco tempo no nosso tempo

Comecei a escrever letras de músicas

E nesse tempo, logo decorrido algum tempo

Um amigo me chamou de poeta

Passado mais um tempo, outro — velho — amigo vem e me diz
"Não conhecia esta sua faceta"

Pensei: isso é para me deixar feliz...

Por outro lado, esqueceu-se ele, e eu também, dos nossos bons tempos infantojuvenis, em que me dedicava a fazer paródias de músicas para nós mesmos e nossas paixões secretas. Fiz várias delas para meus amigos, o que já era um sinal — que eu demorei a perceber, aliás, nem percebi; quem o fez foi um outro amigo nosso, que inadvertidamente nos deixou, não sem antes relembrar-me essa faceta, logo que ficou sabendo da minha mais nova paixão; descanse em paz, meu querido Tuquinha — dessa (in)capacidade que recém aflorou.

Os culpados disso são Maurinho e Belionisio, os amigos e os primeiros a assim me chamarem. Esses são cúmplices, são suspeitos, são como parentes.

Aí vem a professora Alda Andrade, o artista/cantor  Aymeric Frerejean; outra professora, Maria A., do site profes.com.br, os outros entes. Esses com mais crédito, pois são isentos, sem desmerecimento, meus meigos amigos...

Transcrevo a seguir, parte disso que disse (eu mato a cobra e mostro... a cobra morta...rsr):

Professora Alda Andrade.

  • "...Bom, mais uma vez tive uma grata surpresa com a letra da música sobre Paris. Que bela homenagem, principalmente porque vem de uma pessoa que não é francesa. Olha,  acho que você é antes de tudo um poeta. Depois vem o compositor, espero que não se chateie com essa minha opinião. É um elogio."

Cantor Aymeric Frerejean.

  • "Boa noite Nel,

                    Tudo bem ? Tranquilo :-) apesar de trabalhar em casa, o ritmo continua puxado, Eu sei bem como é. 

                    Eu gostei da letra, tem momentos divertidos como o famoso derriere das francesas ! Kkkk

                    Me parece mais um poema que uma canção, talvez pela ausência de refrão, mas é bem legal. 

                    Você chegou a compor a música que vai junto ?"

Professora Maria A.

  • "Olá, Manoel, normalmente,   um poeta   tem uma licença para escrever do modo que quer, fugindo, muitas vezes, das regras. Porém, se quer ter a sua letra interpretada na intenção que foi criada, digo que deve substituir "A" se quer uma conjunção condicional, pois não tem essa função. Ia interferir, dando uma sugestão, mas não devo intervir no fazer poético."  

Para completar, a título de "satisfação" e massagear o ego, pois não sou de ferro, vou abusar desse momento rasga seda e aproveitar para colocar mais um depoimento, que apesar de não mencionar o termo em questão, é direto em menção ao motivo principal de uma dúvida que tive, ao escrever uma letra chamada "Agradecidos" (em homenagem a alguém que não a aceitou, mas que a motivou e por motivos óbvios, não divulgarei seu nome), que descrevo a seguir:

Aqui o motivo:

        O ser humano é bom

        A ser humano, nem sempre é bom 

        Há ser humano ruim

        Mas o melhor é que poucos são assim 

        Há ser humano maravilhoso...

        É essa pluralidade que nos diferencia do todo

Aqui a dúvida: (Enviada ao site)

        O texto acima, é uma estrofe de música que estou escrevendo e gostaria de saber se posso utilizar o segundo verso, da   

        maneira como escrito acima?

        Para isso, fiz (ou tentei fazer...rsr) uma explicação, a qual passo a seguir: Aqui o "A", não tem a função de artigo definido

        feminino singular, mas sim da condicional "Se", alterando  o substantivo  "ser" pelo verbo "ser": isto é: Se for humano, nem

        sempre é bom; Se for  pessoa humana, nem sempre é boa. Quero dizer: Só o fato de ser humano, já o

        diferencia  dos demais seres vivos, no sentido de se questionar, de pensar e não de viver apenas. Isso faz com que haja

        discordância, em gostos, vontades, desejos, bondade e até maldade. Será que falei muita bobagem (rsr) ?    Aguardo

        ansiosamente uma breve resposta.

Aqui a resposta (a segunda):

Professora Elzenir C.

  • "O seu texto é muito interessante, muito sugestivo; não há nada de bobagem. Ficou clara a colocação “ A ser humano”, embora   o “a” não  esteja exprimindo a condição, mas toda a oração, assim como também pode atribuir o sentido de “por ser humano”.

       Observe que as duas respostas, correspondentes às professoras Maria A. e Elzenir C., são do mesmo site já citado 

       (profes.com.br), porém com opiniões divergentes, contudo, ambas absolutamente relevantes e que demonstram o quão

       maravilhosa (e difícil) é a nossa língua portuguesa. Deixo também registrado, o meu pesar por não poder agradecê-las

       diretamente, vez que, acredito, por normas do próprio site, isso não seja possível, porém, faço aqui de público, como se direta,

       ou pessoalmente tivesse feito. Muito obrigado!  Por isso cada vez mais me convenço e deixo o título para "gente grande". Me

       contento com o prazer que ela me dá, de poder com ela escrever e me satisfazer. Para mim, é mais do que suficiente!

Deixando de lado os "entrementes e partindo direto para os finalmentes" — grande, saudoso e imortal Paulo Gracindo, que também imortalizou o nosso adorável "Odorico Paraguaçu" —, vamos então à INTERPRETAÇÃO DA LETRA, ou melhor, vamos à EXPOSIÇÃO DO POEMA:

O que levou-me a fazer essa introdução tão longa e até entediante, foi o fato de que, com a ideia de fazer uma letra para uma grande intérprete, em função da sua característica e personalidade, optei por falar do TEMPO; fazer uma adaptação de algo que já vinha escrevendo há algum tempo!

Minhas letras são sempre compostas por mais de cinco estrofes e por mais que tento reduzí-las, acabo estendendo, pois sempre procuro explanar minhas ideias da maneira mais abrangente possível.

Com esta letra, não foi e nem poderia ser diferente, pois para falar do tempo, precisamos ter muito tempo, porém, resolvi deixar a resistência de lado e aderir, não ao suposto título, mas ao que ele produz, com as devidas escusas antecipadas pelas falhas que fatalmente hão de encontrar.

"PRÉ-POEMA"

Observe que isso deveria ser uma letra, cresceu e me deixou num dilema.

Mesmo relutante acho que vou dar-lhe outra denominação: P O E M A.

E aproveitando, embora sei que não mereço, 

Uso de muito apreço e não desmereço

Posso até dizer com respeito e esclareço

Reconheço e agradeço, alguns amigos; 

Ilustres desconhecidos não menos queridos,

Mas de mesmo valor revestidos,

E me deram o título de poeta

Ilibadas reputações me fizeram aceitar, para não arrumar uma treta

Reconheço que isso me deixou meio zureta

Olhe, não sou de tirar o cu da reta

Preferia ficar aqui no meu canto, de forma mais discreta!

Os culpados disso são dois amigos, duas professoras, 

E mais um cantor e duas seguidoras.

Mansa e pacificamente resolvi a intriga

Ademais sou ligeiro, não fujo da briga

Vou concordar, em parte, para acomodar

Mas não sou poeta, o tempo vai lhes mostrar 

Não sou poeta; depois não venham me empalar

Digamos que gosto de poetar

Preste atenção para não fazer confusão

Embora não fujo também da ambiguação.

"O POEMA"

O TEMPO NÃO TEM TEMPO  

Chamamos de vintage

Chamamos de passado

Chamamos de futuro que não retroage

Chamamos de presente

E nunca está atrasado

Pois para o tempo 

É sempre o mesmo tempo

Ao contrário de nós

Que temos "le temps d'une Fleur"

Não duramos para sempre

O tempo não existe para o tempo

O tempo é uma invenção nossa

Para marcar "o nosso" tempo

O tempo de gerar, de nascer, 

De germinar, de colher

O tempo de amar, de somar, de respeitar

De se misturar, não discriminar, aproveitar

De ser feliz..., de fazer o bem

Sem ver a quem

Esses têm de ser iguais ao tempo, não ter tempo

Esses deveríamos praticar todo o tempo

O tempo na música

O tempo da música

A música do tempo...

...A música não tem tempo 

Na medida em que o tempo passa ("As Time Goes By")

Pois a música quando é boa

Atravessa o tempo e o espaço

O tempo é silente, é preciso saber ouvir

É nele que estão os ensinamentos

Ele nos passa os bons e os ruins; nos dá amadurecimento

Os bons tempos mais rápido se vão, mas hão de revir

Tem também o tempo que faz doer

Aqui deveríamos seguir o tempo

Não ter tempo, de sofrer

Um dia vamos chegar aonde o tempo já chegou

Em que os nanos são gigantes e o tempo já passou

Nós estamos sempre atrasados em relação ao tempo

(“It's a sign of the times”) É um sinal dos tempos

E teremos outro atraso e outro, pois o tempo já se adiantou

Falar do tempo é igual ao tempo,

Nós não teríamos tempo,

Mesmo com todo o tempo, 

É tempo demais 

Para nós, reles mortais!

Para o tempo não existe tempo

Nós é que temos tempo (limitado)

Portanto temos de estar atentos (coitados)

Procurar a felicidade que nunca chega a destempo

Para ela é sempre tempo

E quando encontrá-la, aproveitá-la todo o tempo 

Nem que seja por um triz 

Não importa onde você esteja

Não importa em que tempo seja

Só a felicidade nos faz feliz!

Quando for falar do tempo

Não utilize "velhos tempos"

O tempo não fica velho

Nós é que envelhecemos, com o tempo

Temos data de vencimento

Aprendemos com o tempo

Ficamos melhores, é o que sempre comento

O tempo nos traz conhecimentos

Que guardamos no desvão

Ou com ele se vão

É ele que nos faz transformar uma mente vã

Em uma verdadeira mente sã

É com ele que transformamos mente vã

VerdadeiraMente sã!

O tempo está aí todo o tempo

O tempo é infindo, o tempo é amigo, 

O tempo pune — com mais ou menos tempo — o tempo une

O tempo desune...

O tempo apaga, o tempo conforta, 

O tempo consola, o tempo mostra, 

O tempo é companheiro

O tempo, apesar de silente é o melhor conselheiro

Vou parar por aqui, pois para falar do tempo

Nem com todo o tempo do mundo

Eu não teria suficiente tempo

Nem que eu tivesse o coração do Raimundo

Mundo mundo vasto mundo

Nem que eu fosse fecundo!

Referências:

Músicas: "As Time Goes By" de Herman Hupfeld e "Sign Of The Times" de Harry Styles)

Poema: "Poema de Sete Faces" -de Carlos Drummond de Andrade.

O passado é o único tempo que pode falar do tempo, pois ele já viveu os três tempos!

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